Será que alguém se diverte ficando meia hora no subsolo de um shopping para estacionar o carro? Será que só eu acho cada vez mais difícil agradar o amigo secreto, pois as pessoas já têm tudo o que precisam? Nessa época do ano, comprar loucamente parece inevitável, mas não é. Está na hora de inovar. De parar de competir no quesito quem distribui mais pacotes. De não acreditar mais no falso lema “quem gosta mais, gasta mais”. O economista norte-americano Joel Waldfogel ajuda a pensar no assunto. Ele lançou no ano passado o livro "Scroogenomics - Why You Shouldn't Buy Presents for the Holidays" (ainda não publicado no Brasil). A tradução do subtítulo é algo como “Por que você não deve comprar presentes no Natal”. Durante muitos anos Waldfogel fez pesquisas sobre o assunto e chegou à conclusão de que, em média, os presentes recebidos são depreciados em 20%. Ou seja, se você gastou R$ 100 no amigo secreto, quem recebeu pagaria apenas R$ 80 se tivesse que comprar aquele item. Isso sem falar nos milhares e milhares de presentes que jamais serão usados. Estudando o fenômeno em nível planetário, ele descobriu que a cada Natal cerca de 25 bilhões de dólares são desperdiçados. Claro que existem surpresas muito positivas e presentes maravilhosos, mas estamos falando da média, sob a luz fria da análise econômica. Minha sugestão é a mesma dos consultores de inovação nas empresas: “think out of the box”. Ou seja, pensar fora da caixa não só em termos de projetos profissionais. Se a troca de presentes se tornou uma formalidade engessada que gera altas doses de estresse e muita frustração na hora de abrir os embrulhos, revolucione! Converse com a família, os amigos de escola, a turma do escritório e do futebol. Invente um jeito de comemorar mais divertido e menos consumista. E invista a grana que sobrar em algo que realmente importa: a viagem de férias, o curso de aperfeiçoamento ou o upgrade no plano de saúde.