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Parece que as pessoas honestas geram menos riqueza
Flavio Gikovate, psicoterapeuta e escritor, questiona a importância de educar pessoas eticamente em palestra sobre o real e o virtual no mercado de trabalho
Ana Luiza Jimenez
quinta-feira, 21 de junho de 2012
 

 

Parece que as pessoas honestas geram menos riquezaHá algumas décadas, os profissionais entravam nas empresas ainda adolescentes e saiam aposentados, com um relógio de ouro no pulso como gratificação por tantos anos de dedicação. Hoje, no Vale do Silício, a capital da inovação tecnológica nos Estados Unidos, a média de duração de um emprego é de 11 meses. Foi falando dessas diferenças tão gritantes que Flávio Gikovate, psicoterapeuta e escritor, iniciou a palestra de encerramento do Fórum 2012:  Virtual e Humano, realizado pelo Instituto Via de Acesso, em São Paulo.

 

No contexto atual, os profissionais vivem em um período de rápida transformação, intensificado pelo mundo virtual cada vez mais presente no cotidiano, o que acarreta conturbações nas relações interpessoais. Gikovate afirma que os avanços tecnológicos são uma grande vantagem nos negócios, principalmente com o aumento da velocidade na comunicação. Apesar disso, o potencial dessas novas tecnologias ainda não é totalmente utilizado. “As empresas deveriam fazer melhor uso do Facebook e de vídeos conferencias em vez de ficar chacoalhando para lá e para cá o tempo todo. Parece que as pessoas precisam de uma coisa muito física e isso mostra como ainda temos dificuldade para nos acostumar ao mundo tecnológico que tanto valorizamos”, diz ele. 

 

Ao citar os benefícios da internet, Gikovate diz que o caminho virtual pode ser uma ótima ferramenta para aprimorar o conhecimento, como é o exemplo da educação à distância. “Apesar disso, vejo que esse tipo de iniciativa é pouco utilizada nas empresas. As lideranças estão desperdiçando as oportunidades que a internet apresentam para o crescimento do capital humano”, lamenta.

 

Numa época em que o Google é o oráculo universal e poucas coisas se criam e muitas se copiam, a virtude da honestidade intelectual foi colocada em cheque. Segundo Gikovate, as pessoas chegam a duvidar se devem educar seus filhos eticamente. Afinal, parece que as pessoas honestas geram menos riqueza que as desonestas. Porém, avalia o psicoterapeuta, a auto-estima e o juízo individual, é mais importante do que o enriquecimento.

 

 

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