Nem todo mundo tem a oportunidade de começar a carreira fazendo estágio, com tempo para aprender e responsabilidades reduzidas. Quem precisa trabalhar para pagar os estudos ou simplesmente consegue um emprego antes de conseguir um estágio acaba entrando no mercado de trabalho já de carteira assinada e responsabilidades plenas. Se isso acontecer com você, não se desespere. Em muitos casos, as vagas efetivas oferecem até mais chances de crescimento que o estágio.
Trabalho para pagar a faculdade – Foi o caso de Henrique Issa que, sos 22 anos, precisava de um trabalho com remuneração suficiente para pagar a faculdade de marketing. Ele cursava o primeiro semestre, mas não teve opção a não ser enviar currículos para agências de publicidade, oferecendo-se para vagas de empregos. Não demorou a ser contratado pela Cappuccino Digital, agência de médio porte de São Paulo.
Após dois anos de casa, como assistente de produção, Henrique foi promovido a executivo de contas, cargo que exercia quando foi convidado a encarar um desafio maior: trabalhar em outra agência do mesmo segmento, onde assumiu função de nível gerencial.
Sua performance o tornou respeitado em seu segmento e novas propostas foram surgindo. Nesse período, ele se formou e continuou compondo times estratégicos nas áreas comerciais, onde, afirma, vem aplicando os conhecimentos adquiridos no curso e acumulando experiência prática.
Sem estágio e sem traumas – Henrique relata que o estágio acabou não fazendo falta porque ele acabou tendo um aprendizado prático no trabalho. “Ter de trabalhar para pagar a faculdade certamente seria um impeditivo para pleitear programas de estágio ou trainee em empresas de grande porte”, diz ele. “Hoje, com nove anos de mercado, me sinto em pé de igualdade com aqueles que tiveram oportunidades de estágio com a experiência que acumulei diretamente no ‘front’.”
Para quem vai passar ou está passando por uma situação assim, a dica de Mauro Hollo, consultor de RH e diretor da Konsult, é saber ouvir e ficar bem atento aos processos da empresa. Segundo ele, o importante é não deixar de fazer por medo de errar e buscar, sempre, aprender com os erros. “Quando contrata uma pessoa sem experiência, a empresa sabe que precisa preparar essa pessoa, por isso, interesse e iniciativa também contam muito”, conclui.